Temperaturas no Ártico ficam 20 graus Celsius acima do esperado

Temperaturas no Ártico ficam 20 graus Celsius acima do esperado

Cientistas internacionais estão alarmados. Justamente agora, na época do ano entre o final de outubro e dezembro, em que praticamente não há incidência de sol sob o Círculo Polar Ártico, nas chamadas Noites Polares, pesquisadores do Danish Meteorological Institute e da Universidade da Califórnia divulgaram a notícia de que a média da temperatura registrada nas estações de estudo do Polo Norte está 20ºC acima do que deveria estar.

Os termômetros marcam alguns graus acima de 0, mas o normal para o final de novembro seria algo em torno de 25ºC negativos. O fenômeno deixou os cientistas muito apreensivos. Depois do verão, quando há derretimento da camada do gelo, é no inverno que ela volta a se formar e ficar mais grossa. Com as altas temperaturas registradas, os cientistas temem que os ursos polares, que agora caçam no Ártico, corram risco de vida, já que o gelo está fino demais para aguentar seu peso. E o que será destes animais se o Ártico descongelar?

Como consequência das altas temperaturas no Polo Norte, o gelo também está levando muito mais tempo para se recompor do verão. Em geral, em setembro é o mês em que ele atinge o menor volume anual. De acordo com os cientistas, a média atual da camada de gelo é menor do que que foi registrado em 2012, quando atingiu uma baixa recorde histórica. Nos últimos 25 anos, a camada de gelo no Ártico foi reduzida em 30%.



O que está acontecendo no Polo Norte é um reflexo do cenário do clima mundial. Há apenas algumas semanas, a Organização Meteorológica Mundial publicou um relatório mostrando que o aquecimento da superfície do planeta nos primeiros nove meses de 2016 chegou a cerca de 1,2ºC acima da média pré-industrial e há hoje 95% de chance de que o ano termine batendo o recorde absoluto de mais quente desde o início dos registros, como mostramos aqui, neste outro post.

Se engana, entretanto, quem acha que 1,2ºC seja pouco. Mesmo uma temperatura pouco acima da média, como parece esta, pode ter efeitos catastróficos sobre a vida de plantas, animais e do ser humano no planeta, afinal, estamos todos conectados. Quando há derretimento do gelo nos Polos, os oceanos recebem uma maior quantidade de água. Além disso, com a temperatura da água mais quente, o volume é maior. Consequentemente, a chance de inundação e enchentes em cidades costeiras se torna mais alta.

O Diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Erik Solheim, acredita que o que considerávamos anomalias, agora são fatos normais. “Nosso clima está mudando bem em frente aos nossos olhos e nós temos pouco tempo para impedir que isso fique significativamente pior. ”

Por: http://conexaoplaneta.com.br / O Globo

Economia Sustentável


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