Especial Saúde: Alerta diante do vírus zika

Especial Saúde: Alerta diante do vírus zika


O Comitê de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o zika vírus, já presente em 24 países da América, uma emergência de saúde pública de importância internacional. O vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti — o mesmo da dengue e do chikungunya—, normalmente provoca uma infecção leve, mas está sendo associado a casos de microcefalia em bebês de mães infectadas e a alguns casos da síndrome de Guillain-Barré. Foi essa relação que levou a OMS a considerar o zika vírus uma ameaça “de proporções alarmantes”, como a definiu a diretora-geral da entidade, Margaret Chan.

Na entrevista coletiva que se seguiu, Chan insistiu que a emergência “não é pelo zika vírus em si, mas por sua associação com a microcefalia e outros transtornos neurológicos, como a síndrome de Guillain-Barré”. Ela acrescentou que a declaração foi feita “como precaução”. “Não podíamos esperar até que a relação seja demonstrada”, afirmou.

Isso torna a situação mais chocante. Não se declara a emergência só por causa do vírus, já que isso deveria ter sido feito anos antes, quando ele começou a sair da África, mas sim por seu possível vínculo com complicações gravíssimas. O subdiretor-geral David Heymann acrescentou que não se sabe quanto tempo levará para que a relação do zika com a microcefalia e outras síndromes seja confirmada ou descartada.

José María Martín Moreno, catedrático de medicina preventiva da Universidade de Valência, explica que os peritos da OMS estabeleceram esse alerta mundial com base em dois elementos: a existência de um risco para a saúde pública de outros Estados em decorrência da propagação internacional do zika vírus e a necessidade de uma resposta mundial coordenada. “A partir disso, provavelmente será proposto insistir no fortalecimento da vigilância epidemiológica, criação da capacidade laboratorial para detectar o vírus, colaboração na eliminação dos mosquitos, formulação de recomendações sobre o atendimento clínico e acompanhamento das pessoas infectadas pelo víruse definição de áreas prioritárias de pesquisa sobre a doença causada pelo zika vírus e suas possíveis complicações”, especifica Martín Moreno, que também é assessor da Organização Mundial da Saúde para a Europa.

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