Arborização Urbana Planejada

Arborização Urbana Planejada

Cada vez mais o concreto e as grandes obras se fazem presentes em todas as cidades do planeta. Até em cidades de interior, famosas por suas casas térreas com seus amplos jardins, ruas de terra batida, vão deixando de existir. Hoje o cenário já se confunde com o das grandes cidades, pois notam-se prédios comerciais e residenciais, muito asfalto e poucas áreas verdes. Será que estas características de aridez ainda representam status de cidade desenvolvida?
 
Estamos construindo grandes ilhas de calor, onde o asfalto erradia o calor do sol, os edifícios canalizam ou impedem a passagem dos ventos e a única sombra que se vê são de postes e outros equipamentos públicos. É necessário planejar as cidades para que sejam menos áridas e a principal saída para melhorar a saúde física e mental e o conforto da população, está na arborização urbana planejada.
 
São inúmeros os benefícios da arborização urbana, desde a permeabilidade do solo, evitando as enchentes, até a contenção de encostas e barrancos em áreas consideradas de risco. As árvores amenizam as ilhas de calor e criam zonas de conforto reduzindo a sensação térmica para pedestres e motoristas. Reduzem a poluição atmosférica absorvendo gases poluentes e partículas suspensas, servem como refúgio natural para pássaros e outros animais. Absorvem o gás carbônico e liberam oxigênio. Funcionam como barreira acústica, valorizam imóveis, embelezam e perfumam ruas, praças, avenidas e jardins, ajudam a organizar o espaço urbano.

 
A arborização faz parte da identidade local, relacionando-se com aspectos sociais, culturais e históricos das cidades, como é o caso do maior cajueiro do mundo, com 8.500 m², em Pirangi do Norte –RN, ou da maior árvore do mundo, uma Sequoia – gigante, de 84 metros de altura e 11 de diâmetro, no Parque Nacional da Califórnia. Outra espécie que chama a atenção e atrai o turismo é o Baobá, árvores originárias de Madagascar e das Savanas Africanas, que podem atingir os 20 metros de diâmetro e o motivo de tamanha desproporção é bem simples: a árvore armazena até 100 mil litros de água no seu tronco oco, para aguentar os meses de seca e calor intenso.
 
Apesar de parecer a coisa mais certa a fazer, não se deve sair plantando árvores nas calçadas e praças sem antes conhecer um pouco sobre sua espécie, ou o tamanho que atingem. É importante saber que existem espécies que não são indicadas para a arborização urbana devido ao tamanho que atingem, ou tipo de raiz, por exemplo, que podem romper pisos das calçadas e até encanamentos no subsolo.
 
Outras consideradas espécies exóticas que ao invés de atrair os pássaros fazem papel de repeli-los, ou espécies arbóreas indesejadas que se espalham como praga, inibindo o crescimento de espécies nativas, casos comuns em cidades que não tem planejamento para arborização urbana. As espécies exóticas invasoras são consideradas a segunda causa mundial para a perda de diversidade biológica, perdendo apenas para a exploração humana direta. Um exemplo disso é a espécie Spathodea campanulata, árvore africana que dá flores vermelhas, muito usada em projetos paisagísticos, é facilmente encontrada em São Paulo.
A espécie tem um néctar tóxico, que mata insetos e beija-flores, segundo pesquisa desenvolvida pelo Instituto Biológico. Além da toxicidade, é frequente a queda de grandes galhos, o que a torna uma espécie contra indicada para o plantio em passeio público. Outra espécie exótica é a palmeira seafórtia (Archontophoenix cunninghamii) palmeira originária da Austrália, que aos poucos avança pelas matas em todo o estado de São Paulo. Por ter um fruto vermelho, atrativo para os pássaros que carregam suas sementes e as espalham por grandes áreas, a espécie está se espalhando rapidamente.
 
 O cuidado e a verificação das espécies e das áreas para o plantio, a análise da saúde das mudas, o tratamento e a adubação do solo, são fatores determinantes para o crescimento saudável das árvores. Espécies fragilizadas e doentes atraem pragas que vão minando seus troncos e galhos, podendo provocar acidentes graves em dias de vento e chuva forte, situações comuns em cidades como São Paulo.
 
A prefeitura de São Paulo deixa à disposição da população o Manual de Arborização Urbana, vale conferir!

Veridiana de Aguiar é Gestora Ambiental da ARISP – Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo, formada pela FMU – SP, tem artigos publicados no Brasil e no exterior.

CFQ – 133.978
 
 

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