A Degradação Ambiental e a Febre Amarela

A Degradação Ambiental e a Febre Amarela


A Febre Amarela costumava ser uma doença tropical, que preocupava apenas aqueles que viajavam para áreas de selva. O último caso da doença no meio urbano foi em 1942, mas hoje, em pleno século XXI, a Febre Amarela volta a assombrar as cidades paulistas com diversas ocorrências de mortes de primatas infectados pela doença e mortes registradas entre seres humanos. A causa disso é bem fácil de deduzir: degradação ambiental.

O desmatamento descontrolado, em benefício de lavouras e pastos, foi criando pequenas ilhas de floresta na zona rural, nos parques das cidades e nos corredores ecológicos. Tudo o que restou das matas e florestas, especialmente no Estado de São Paulo, foram áreas que não possuem interligação entre si. As queimadas recentes, provocadas pelo período longo de estiagem, que os cientistas acreditam já fazerem parte dos efeitos do aquecimento global, acabam de destruir as maiores áreas verdes do Estado, bem como de diversos outros estados do Brasil e têm contribuído para que os animais fiquem encurralados.  Uma prova disso tem sido mostrada nos noticiários todos os dias, quando vemos onças, gambás, tamanduás, macacos, raposas, capivaras e muitos outros animais, sendo encontrados em residências, lojas e depósitos de armazenagem no meio das cidades. Eles perderam o seu habitat e agora são obrigados a se adaptar em um outro tipo de selva: a selva de pedra.


O retrato do desmatamento e alguns casos de animais  selvagens encontrados nas cidades.

Por outro lado, mosquitos transmissores de diversas doenças sempre estiveram presentes nas matas, que antes eram densas, gigantescas, formando um ecossistema inabalável e residência fixa para seres vivos de todas as espécies. Dificilmente infectavam grupos inteiros de animais ou de pessoas.  Hoje a situação é totalmente nova: estamos presenciando a mortalidade em massa de algumas espécies de primatas contaminados pela febre amarela. Só na cidade de Itatiba, interior paulista, 74 macacos foram contaminados e mortos pela doença. O mosquito Haemagogus, que transmite a febre amarela, vive somente em áreas de mata e não é encontrado em áreas urbanas. 

A população corre riscos? 
Sem dúvida, uma vez que seu “primo”, o Aedes aegypti, que já é muito conhecido dos brasileiros - um mosquito presente em áreas urbanas - pode vir a transmitir a febre amarela.
 
Degradação Ambiental Urbana

Mas existe um outro componente importante a ser analisado: a degradação ambiental urbana. O lixo, a falta de saneamento e a falta de educação ambiental da população, fazem das cidades um grande criadouro de pragas, como ratos, baratas, escorpiões e mosquitos. Com o aquecimento global e o aumento da temperatura,  as cidades se transformaram em fábricas de Dengue, Chikunguya e Zica Vírus, todas elas transmitidas pelo Aedes aegypti, que tem nos centros urbanos seu criadouro ideal e pode também transmitir a Febre Amarela: basta que o Aedes aegypti pique alguém contaminado pela Febre Amarela para que ele se torne um transmissor da doença. 


A  falta de saneamento básico elevando o risco de disseminação de diversas doenças.

A população deve se unir, exigir coleta de lixo e saneamento básico, aderir às campanhas contra os criadouros, manter as áreas de suas casas livres de objetos que possam manter água parada, limpar terrenos baldios, evitar lixo acumulado e rejeitos de obras e entulho. Lixo de todos os tipos fazem parte da paisagem urbana, das margens dos córregos e dos lixões a céu aberto.  Toda essa sujeira pode ser responsável pela volta de diversas doenças erradicadas no mundo.

Muitos países têm se unido ao Brasil em pesquisas sobre os efeitos das doenças provocadas pelo Aedes aegypti, nos tratamentos adequados àquelas pessoas que contraíram tais doenças e na melhor alternativa para tratar os bebês nascidos com microcefalia.

Para a Febre Amarela existe a vacina, mas ela não imuniza contra as outras doenças.

O que tem nos conduzido à esta situação é o retrocesso das políticas públicas no Brasil, onde acredita-se que, para sair da crise, é preciso derrubar a mata para criar gado, destruir a floresta para fazer mineração, plantar em larga escala para exportar, investir em pontes e viadutos, mais do que no saneamento básico, banir o homem do campo e conduzi-lo aos centros urbanos, ampliando as periferias. Com este cenário é possível que tenhamos que conviver com outras pragas extintas no século passado ou retrasado, como a lepra, a peste bubônica e a peste negra, que matou mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo. 

É assustador? 
Com certeza é!

Plantar florestas é a saída possível, mas não adianta plantar florestas de “100 m²”, isoladas umas das outras. Temos que preservar as florestas que ainda existem e manter os animais vivendo saudáveis nelas. Precisamos de políticas públicas para ampliá-las e interligá-las fazendo com que os animais selvagens possam ter uma área de vida segura. Florestas que protejam as nossas espécies de fauna e flora, as nascentes e a água, o oxigênio, o solo e o clima. Florestas que assegurem a nossa saúde e sobrevivência. Um direito de todos nós. 

Por: Veridiana Aguiar, Gestora Ambiental da ARISP.
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